quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

História do Pinhal Novo/ Biografia de José Maria dos Santos

A Professora Felicia Semedo partilha com todas escolas do agrupamento uma recolha acerca da história do Pinhal Novo e a Biografia do patrono da Escola sede, José Maria dos Santos, que realizou com a turma que lecciona no ano lectivo anterior.

Obrigado pela partilha!
Desde épocas muito remotas que o Pinhal Novo é um local de passagem. Esta característica deve-se ao facto de ser ponto de passagem de diversas rotas, a Estrada dos Espanhóis, rota dos Círios da Atalaia, o caminho-de-ferro e, recentemente, das estradas. A estes há que acrescentar os ca­minhos e aceiros que percorrem a freguesia.
A história da formação da freguesia tem de buscar-se no ano de 1833, altura em que estaria fundado o Círio da Carregueira, que constitui, muito provavelmente, a mais antiga manifestação de organização em Pinhal Novo.
Em 1856 começam as obras do caminho-de-ferro e, no ano seguinte, teve o seu início o Círio dos Olhos de Água.
A inauguração oficial das linhas do cami­nho-de-ferro, de Barreiro a Vendas Novas e Pinhal Novo a Setúbal, dá-se a 1 de Feve­reiro de 1861.
Deve datar desta época o nome Pinhal Novo, o local, anteriormente, era designado Lagoa da Palha. A primeira referência escrita ao nome Pinhal Novo é de 27 de Março de 1859, numa notícia publicada no jornal "O Cisne do Sado".
O primeiro acto público verdadeiramente im­­portante para a vida da localidade acontece a 18 de Julho de 1872, trata-se da doação feita por José Maria dos Santos, à população de Pinhal Novo, de um terreno para a constru­ção de uma capela e para a realização dos festejos. A doação foi assinada por parte dos moradores, por António Domingos Macau e José Nogueira de Faria.
As obras de construçãoda igreja haviam sido iniciadas na véspera da assinatura do documento de doação e concluiram-se em 1874, celebrando-se a primeira missa no dia 2 de Fevereiro do mesmo ano.
José Maria dos Santos nasceu no dia 1 de Dezembro de 1831, filho de Caetano dos Santos e de Gertrudes Maria, que moravam em S. Sebastião da Pedreira.
Em Junho de 1860 José Maria, que contava então 28 anos, fazia parte da Direcção da Associação Central da Agricultura Portuguesa.
Foi deputado às cortes aos 37 anos e em Junho de 1887 assinava as contas de Gerência da Comissão Administrativa da Câmara dos Senho­res Deputados juntamente com Joaquim Pedro de Oliveira Martins. Foi o primeiro Vice-Presidente da Assistência Nacional aos Tuberculosos, tendo deixado enor­mes quantias de dinheiro a diversas institui­ções de qualidade.
José Maria dos Santos foi deputado por incontáveis mandatos e Par do Reino, desempenhou inúmeros cargos e foi fundador de várias associações. Revolucionou a agricultura em Portugal e foi o responsável pela introdução no País do adubo químico. Ao longo da sua notável carreira foram-lhe oferecidos numerosos títulos, invocando como razão a vulgaridade do seu nome, que facilmente podia ser confundido. A este argumen­to res­pondia sempre "José Maria dos Santos, filho do mestre Caetano, não há outro!".


Faleceu a 19 de Junho de 1913, tendo o seu funeral contado com numerosíssima assistên­cia. O seu testamento repartiu pelos seus sobrinhos as suas imensas propriedades que fa­ziam dele um dos mais ricos homens do País.
As gentes do Pinhal Novo homenagearam o seu ilustre benfeitor, construindo-lhe uma estátua, que foi colocada no Largo que recebeu o seu nome.
Entretanto a povoação de Pinhal Novo ia evoluindo. Sinal dessa evolução foi a fundação da, actualmente assim designada, Sociedade Filarmónica União Agrícola no ano de 1896 e, em 1910, a criação do União Futebol Clube Pinhalnovense.
Em termos demográficos a população não es­ta­va ainda muito bem fornecida de gentes, pois que em 1911 contava apenas com 263 habitantes.
Resultado do esforço dos moradores da jo­vem povoação foi a construção do cemitério local, corria o ano de 1925, ainda sob a administração do concelho de Setúbal.
O ano de 1928 foi testemunha de um importantíssimo acontecimento na vida de Pinhal Novo e de todos os seus moradores, pelo Decreto-Lei nº 15 004 de 7 de Fevereiro, foi criada a freguesia de Pinhal Novo. Dez anos depois novo grande acontecimento entra na história da freguesia, a 8 de Maio de 1938 tem lugar, com a devida pompa e circuns­tância, a inauguração da luz eléctrica.
Em 1939 fica pronta a nova estação de cami­nho-de-ferro de Pinhal Novo.
O Círio Novo é criado em 1945, resultado da cisão do Círio da Carregueira. Este aconteci­mento é também sinal das grandes transformações que, entretanto, se foram dando na localidade e na região. O Clube Desportivo Pinhalnovense surge em 1948, em consequência da fusão do União Futebol Clube com a Sociedade Recreativa Literária e Musical, dita Rasga-a-Manta.
Um documento fundamental para a história e o conhecimento da evolução do povoamento da região é, ainda hoje, a comunicação apresentada pelo eminente geógrafo Orlando Ribeiro "As transformações do habitat e das culturas na região de Pinhal Novo (Portugal)", ao XVI Congresso Internacional de Geografia de Lisboa, reeditado pela Junta de Fre­guesia, em 1998, na colecção Origens e Destinos.
A primeira escola primária de Pinhal Novo é inaugurada em 1950 em simultâneo como pos­to da Guarda Nacional Republicana e o Mercado Agrícola, a "Praça". Os Bombeiros Vo­lun­tários de P. Novo surgem no ano de 1951.
Ao longo da evolução de P. Novo o cami­nho-de-ferro foi sendo a espinha dorsal da freguesia pois, assim como divide a po­voa­ção ao meio, une também o seu passado e o seu futuro. Refira-se que a população, inicialmente escassa, foi sofrendo acréscimos de população. Os "caramelos" vinham do pé da serra do Caramulo da Beira Lito­ral e do Vale do Mondego, os "ratinhos" da Beira e outros vindos do Alentejo. Mas o grande surto demográfico teve lugar entre 1970-1975, devido à fixação de população vinda do Alentejo e do Algarve. Após o 25 de Abril de 1974, com a subsequente consoli­dação do poder local, P. Novo conheceu importantes melhoramentos que contribuíram, efectivamente, para a melhoria das condições de vida da população pinhalnovense. Pinhal Novo foi elevado à categoria de Vila a 11 de Março de 1988.

*Adaptado de "Pinhal Novo um breve retrato", de Aníbal de Sousa

O termo "caramelo"
está relacionado com "caramuleiro" oriundo do Caramulo.
Mas, ao certo ainda não sabemos realmente quem foram os primeiros habitantes destes sítios, nem de onde vieram ou quando.
Muitas histórias se contam. Diz-se que a Sesmaria da Lagoa da Palha seria pertença de um Administrador Espanhol do tempo da ocupação Espanhola. Esta Sesmaria e a da Venda do Alcaide seriam habitadas por uns raros protegidos dos seus titulares. Trabalhavam na agricultura e seriam filhos de famílias desconhecidas, oriundos de terras longínquas.
Sabemos que por aqui também passavam os Espanhóis, dirigidos à Moita do Ribatejo com as suas mercadorias destinadas a Lisboa, utilizando para o efeito uma estrada desde Badajoz, a qual ainda hoje é conhecida por "a estrada dos Espanhóis", que passava por Águas de Moura, Pinheiro de Sete Cabeças, Areias Gordas, Palhota, Venda do Alcaide e Pinhal Novo (actualmente Rua Infante D. Henrique onde se situa a sede do Agrupamento de Escolas), onde se encontram as casas mais antigas da Vila.
O caramelo, gente de princípios religiosos, foi-se fixando e crescendo, arroteando e cultivando os terrenos.
Os seus contactos com os povos já existentes nos arredores, mais propriamente nos lugares da Carregueira e Lagoa da Palha levam-nos à necessidade de criar um Centro Sócio-Religioso.
As primeiras manifestações organizadas por estas gentes acontecem por volta do ano de 1833, com o aparecimento do Círio da Carregueira, mas a grande força de imigração deu-se a partir de 1850.
Os Caramelos, originários de uma zona profundamente religiosa, trouxeram vários hábitos e costumes, mas quando chegados a esta região rapidamente os abandonaram.
Viviam num mundo à parte. Os rituais do casamento chegavam a prolongar-se por três dias. Ao princípio casavam entre si, mas depois os cruzamentos foram inevitáveis.
A matança do porco é também motivo de festança, com jantarada, música e baile, em que confraternizavam os vizinhos.
Os funerais também tinham o seu ritual próprio e até foram criadas Irmandades com corpos gerentes, associações que faziam os funerais. São conhecidas duas Irmandades: a Irmandade de S. José na Venda do Alcaide com capas brancas e a do Senhor dos Passos com capas rochas. Ambas foram extintas em 1970. A linguagem do Caramelo é bastante característica. O homem Caramelo é seco, rude, trabalhador. A mulher é anafada, de rosto corado, pele tisnada pelo sol e trabalhadora. É desconfiado, mas correcto nas suas obrigações para com credores e benfeitores. Tem uma natural propensão para o negócio e, por natureza também é divertido, gostando de festas e Romarias. Diz-se acerca dos Caramelos: "... gente religiosa e respeitadora, cumpridora dos seus deveres ".



Antigo
Actual

Pinhal Novo é filho de José Maria dos Santos e dos caminhos de ferro. Estes podem ser considerados como os motores de arranque. O resto do percurso, até aos dias de hoje, foi conseguido pelo bairrismo que une cada pinhalnovense.
As primeiras referências à região datam de 1806. Pinhal Novo era então uma região coberta de mato e de vinha pertença do Barão de S. Romão que habitava o palácio da Lagoa da Palha. Por esta altura são conhecidas também as Sesmarias da Fonte da Vaca, Terrim, Montinhoso e Arraiados. O Barão morreu em 1820 deixando os bens à viúva e ao filho.
José Maria dos Santos entra em cena nos anos vinte ao casar a), não se sabe ao certo se com a baronesa ou a neta. Em 1830 começa a plantar mais pinhal e mais vinha nas proximidades de Lagoa da Palha. A História de Pinhal Novo começa a ganhar fôlego com o início da construção do ramal de caminho de ferro entre Pinhal Novo e Setúbal. Aliás, é devido à construção de uma estação dentro do pinhal que a região passa a ser conhecida por Pinhal Novo.
José Maria dos Santos cedo se apercebeu das vantagens económicas que um caminho de ferro podia trazer. A madeira, os vinhos, o arroz e a preparação do carvão iriam chegar rapidamente a Lisboa. Mas nada seria conseguido sem mão-de-obra, foi preciso colonizar a região.
O movimento migratório foi protagonizado pelos "caramelos" (gentes, talvez, da Figueira da Foz-Caramulo) e pelos "ratinhos" (gentes das beiras e do Alentejo).
O empreendedor José M. dos Santos morre em 1913. Dois anos mais tarde é erguido um busto em bronze no Largo que ainda hoje tem o seu nome.

O Pinhal Novo nos anos 60

Outros factos ocorridos ainda no século passado vão marcar profundamente a História de Pinhal Novo - a fundação, em 1896, da Sociedade Filarmónica União Agrícola e a construção da igreja, em 1874. Esta última é tão importante para os pinhalnovenses que a data foi comemorada 100 anos mais tarde. Em 1974 assinalou-se o 1º centenário da criação da paróquia de Pinhal Novo. A igreja tem ainda mais relevo uma vez que foi na sacristia, em 1887, que funcionou a primeira escola oficial.
A partir do início do nosso século Pinhal Novo desenvolveu-se rapidamente, agarrado às origens mas sempre com os olhos postos no futuro. Em 7 de Fevereiro de 1928 é oficialmente criada a freguesia; nos anos setenta aparecem os primeiros jornais; nos anos oitenta ganha uma estação de rádio e é elevada a vila a 11 de Março de 1988; nos anos noventa quer ser concelho.
João Paulo Silva In Jornal do Pinhal Novo, Ano 1, Nº1
a) Nos anos vinte JMS não havia nascido ainda, uma vez que ele nasceu em 1831, quanto ao casamento há quem duvide que ele tenha casado ou diga que não é conhecida a data do seu casamento.


ORIGEM DA POPULAÇÃO
A localidade de Pinhal Novo começa a progredir com a inauguração do caminho-de-ferro, desde 1856.
Nessa altura eram raros os habitantes e todos trabalhavam na agricultura, para o dono do Palácio da Lagoa da Palha.
Existiam apenas três casitas; uma do lado sul da linha onde se vendiam comidas aos passantes e duas do lado norte.
No último quartel do séc. XIX, os grandes proprietários da região começavam a colonização da zona para cultivar as herdades, destinando parte delas ao emparcelamento, cedendo pequenas parcelas aos colonos em regime de foro, transformando-se em seguida em propriedade particular.
A colonização foi feita por colonos sazonais, imigrantes que vinham trabalhar nos arrozais do Sado e da margem Sul do Tejo e também vindos para trabalhar no caminho-de-ferro, os caramelos vinham do pé da serra do Caramulo.
A eles se juntaram os ratinhos da zona da serra da Estrela e trabalhadores agrícolas do Alentejo, na esperança de virem a ser proprietários. Mas, a já reconhecida insuficiência de mão-de-obra na região fez com que o grande agricultor, José Maria dos Santos contratasse também pessoal da Beira Litoral e Vale do Mondego.
Estes trabalhadores vinham normalmente com um contrato, findo o qual, regressavam às suas terras sendo chamados depois com novos contratos. Eram por isso chamados de "caramelos de ir e vir". Outros porém, também chamados de caramelos fixaram-se na região, sendo suas descendentes algumas famílias bem conhecidas dos Pinhalnovenses.


José Maria dos Santos
(Lisboa, n.01/12/1835 m.19/06/1913)

Nascido no seio de uma família humilde (o seu pai era o ferrador Mestre Caetano), viria a ser um dos maiores lavradores do seu tempo e o homem mais rico de Portugal à data da sua morte, no entanto nunca deixou de ser um homem do povo.
A sua união com uma das herdeiras do Barão S. Romão, anterior proprietário da região, permitiu-lhe desenvolver e modernizar a agricultura em especial nas suas herdades de Rio Frio, Palmela e Machados, onde introduziu maquinaria e adubos químicos, uma novidade na época.
Na ânsia de multiplicar a riqueza recebida, mandou ainda plantar a maior vinha do Mundo em Poceirão (cerca de 6 milhões de videiras), promoveu a colonização destas terras e usou a sua influência na Corte - exerceu, entre outros, os cargos de deputado e de Par do Reino - para chamar à região o caminho-de-ferro. Ilustre lavrador foi, igualmente, um ilustre benemérito.
São inúmeras as histórias que dão conta do carácter justo de José Maria dos Santos e lhe granjearam a admiração dos seus rendeiros em particular. Já em plena República, o Diário de Noticias de 21 de Junho de 1913 descreve o seu funeral como algo nunca visto em Lisboa : " Para tomar parte no cortejo haviam chegado de manhã, em vapores e fragatas, numerosíssimos trabalhadores que se empregam nas grandes propriedades de Rio Frio.
Na ocasião da saída do funeral, na Rua da Junqueira, tornou-se difícil o trânsito, pois não só os trabalhadores, como os pobres, que ali se aglomeravam, enchiam a larga rua, dificultando o trânsito dos eléctricos, apesar da presença de uma força de polícia sob o comando de um chefe.
No Largo do Calvário, o préstito levou cerca de uma hora a passar, sendo presenciado por milhares de pessoas. Depois de sair o funeral, foram entregues pela família ao chefe da polícia 40$000 réis, para serem distribuídos em esmolas de 100 réis 1".
Busto de José Maria dos Santos (1832-1913)

José Maria dos Santos (1832-1913), filho de um ferreiro ou ferrador de Lisboa, transformou-se no maior viticultor português fruto de uma capacidade de gestão empresarial única na época. Com formação em medicina veterinária, foi um dos fundadores da Associação Central da Agricultura Portuguesa, fez parte do Conselho Fiscal do Banco de Portugal, e desenvolveu uma carreira política, destacando-se como deputado e Par do Reino.
A sua acção foi fulcral para o desenvolvimento agrícola e a colonização da área de Rio Frio-Poceirão. Recorreu a incentivos para fixação de trabalhadores, ao uso de fertilizantes químicos, à aplicação de novos métodos de cultivo – como a selecção de sementes e o recurso a maquinaria agrícola inovadora – e à criação de canais de escoamento de produção; aplicou estes métodos nas suas herdades de Rio Frio, Palma e Machados. Este busto constitui uma homenagem dos seus rendeiros, prestada em 1916, no largo homónimo de Pinhal Novo.
Este monumento, situado em frente da Igreja de São José, próximo do Coreto, no jardim e no largo com o nome do homenageado, constitui uma adequada memória ao grande agricultor e benemérito local José Maria dos Santos (1831-1913), mandada erguer pelos seus rendeiros em 1916. Este bonito monumento encontra-se enquadrado por um lago recente e é formado por uma estrutura de pedra, esculpida, e pelo busto de bronze do benemérito, assinado pelo escultor Costa Motta Sobrinho. O pedestal, com dois degraus, apresenta na frente uma lápide com a seguinte legenda:JUSTA HOMENAGEM DOS SEUS ANTIGOS RENDEIROS NOVEMBRO DE 1916.
A alta estrutura, tripartida, é amparada dos lados por duas volutas apoiadas no segundo degrau, cujos perfis apresentam uma decoração de parras e cachos de uvas, ligeiramente relevadas. Uma placa de bronze centrada por uma colmeia com três abelhas e em forma de brasão encosta-se à parte inferior da estrutura, revestida com um baixo-relevo onde estão representadas alfaias agrícolas – uma pá, um ancinho, uma foice e uma enxada – entrelaçadas por uma fita que empresta movimento à composição. Na parte central da estrutura, implanta-se uma imitação de tabuleta de madeira, centrada pela seguinte inscrição:AO BENEMERITO EINSIGNE LAVRADOR JOSÉ MARIA DOS SANTOS 1832-1913 O pormenor escultórico mais belo de todo este pedestal encontra-se nas vides retorcidas que brotam por baixo desta inscrição, emoldurando-a através de parras e de cachos de uvas de realização bastante expressiva e acentuado carácter «Arte Nova», e que poderá ser da mão do próprio Costa Motta. Entre esta composição central e o remate, encontra-se um ábaco demasiado volumoso e de desenho grosseiro, que poderia não estar previsto inicialmente, já que o remate parece prolongar os suportes da tabuleta do centro, rematando-os com dois pequenos enrolamentos (um deles já fracturado), e um anel central de onde se destacam quatro espigas de trigo. Apesar da qualidade escultórica de alguns destes pormenores, que sugerem uma intervenção directa de Costa Motta, ou a utilização de desenhos deste escultor, a concepção deste pedestal é bastante confusa e as suas partes mal articuladas entre si, o que pode ser resultado do trabalho de canteiros pouco habilitados.O busto de bronze é, pelo contrário, uma magnífica escultura de pendor naturalista, mas sem pormenorização excessiva, que transmite uma imagem de força e de serenidade do retratado através do tratamento seguro dos volumes que revelam um excelente escultor. A assinatura C. Motta e a data de 1916 encontram-se na parte posterior, nas costas do ombro esquerdo. Esta assinatura pode levantar dúvidas entre o escultor Costa Motta, Tio (1862-1930) e o escultor e ceramista Costa Motta, Sobrinho (1877-1956), mas pela grafia da assinatura e o carácter da obra, é com toda a probabilidade um trabalho do segundo. António Augusto da Costa Motta foi um notável artista, nascido em Coimbra, que após ter tido aprendizado com seu tio homónimo, foi estagiar a Paris em 1904-1905, no atelier do escultor Injalbert e, após a morte de Rafael Bordalo Pinheiro, tornou-se director artístico da Fábrica de Faianças das Caldas da Raínha,em 1908. A partir de 1914, e em especial após o encerramento definitivo da Fábrica das Caldas, em 1916, até iniciar o projecto da Escola de Cerâmica António Augusto Gonçalves (mais tarde Escola António Arroio, inaugurada em 1928), Costa Motta Sobrinho dedicou-se essencialmente à escultura, no seu atelier de Lisboa. Fez, nomeadamente, diversos bustos de mármore e alguns de bronze, sobretudo de várias figuras públicas, quase sempre por encomenda, como este busto de José Maria dos Santos, em Pinhal Novo, é um bom e esclarecedor exemplo.

Bibliografia:SERRÃO, Vítor e MECO; José Palmela Histórico-Artística. Um inventário do Património concelhio, Palmela/Lisboa: C.M.Palmela/Ed. Colibri, 2007.

Fotos do Trabalho, realizado pela professora Felícia Semedo e a sua turma, sobre a Freguesia do Pinhal Novo, no ano lectivo 2009/10

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